5 dicas para sobrar dinheiro e comprar um imóvel

Escrito por: Davi Jacyntho Barbosa, Advogado – OAB-SP 344.423

Atualizado em 27/09/2026

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Foto (acervo pessoal / Davi Jacyntho)

Descubra como organizar sua vida financeira, aumentar sua capacidade de poupança e transformar o sonho da casa própria em um projeto possível

Comprar um imóvel é uma das maiores decisões financeiras da vida.

Para muitas pessoas, o problema não está apenas no preço da casa ou do apartamento, mas na dificuldade de fazer o dinheiro sobrar todos os meses para formar a entrada e pagar os custos da compra.

A boa notícia é que comprar um imóvel pode ser tratado como um projeto financeiro.

Em vez de simplesmente tentar economizar o que sobrar no fim do mês, é possível organizar o orçamento, reduzir desperdícios, aumentar a renda e estabelecer uma meta específica para a compra.

O Banco Central recomenda justamente o uso do orçamento pessoal ou familiar para conhecer receitas, despesas, prioridades e capacidade de formar poupança.

Neste artigo, você vai conhecer 5 dicas para fazer sobrar dinheiro e se preparar financeiramente para comprar um imóvel.

1. Descubra quanto realmente sobra do seu salário

O primeiro passo para comprar um imóvel não é escolher o bairro.

É descobrir quanto dinheiro realmente sobra todos os meses depois de pagar as despesas necessárias.

O orçamento deve considerar salários, rendas extras recorrentes e todas as despesas, incluindo aluguel, alimentação, transporte, contas, cartão de crédito, empréstimos e gastos de lazer.

O Banco Central explica que o orçamento permite conhecer a realidade financeira, estabelecer prioridades e planejar objetivos.

Uma conta simples pode ajudar:

Renda mensal – despesas mensais = capacidade de poupança

Por exemplo, imagine uma pessoa que recebe R$ 6.000 por mês e possui R$ 4.800 de despesas.

Nesse caso, existe um potencial de R$ 1.200 mensais para formar uma reserva destinada à compra do imóvel.

O problema é que muitas pessoas não conseguem identificar esse valor porque pequenos gastos são distribuídos ao longo do mês.

Uma assinatura de streaming, refeições fora de casa, compras por impulso, aplicativos, tarifas e outros gastos aparentemente pequenos podem consumir uma parcela importante da renda.

Por isso, antes de cortar despesas, é necessário descobrir para onde o dinheiro está indo.

2. Transforme a compra do imóvel em uma meta financeira

Guardar dinheiro sem saber quanto precisa acumular costuma ser difícil.

Uma estratégia mais eficiente é transformar a compra do imóvel em uma meta concreta.

Imagine, por exemplo, que você pretende comprar um imóvel de R$ 500 mil.

O objetivo não precisa ser simplesmente “juntar R$ 500 mil”.

Se a compra for financiada, pode existir uma necessidade de recursos próprios para a entrada, além de despesas relacionadas à aquisição.

Dependendo da operação, também podem existir gastos com ITBI, escritura pública quando aplicável, registro do imóvel, avaliação, tarifas bancárias e outras despesas.

Por isso, o planejamento deve considerar o custo total da compra, e não apenas o preço anunciado do imóvel.

3. Crie um “fundo do imóvel” e pague primeiro a sua própria meta

Uma das formas mais eficientes de economizar é separar o dinheiro destinado ao imóvel assim que a renda entrar.

Em vez de esperar chegar ao fim do mês para descobrir o que sobrou, estabeleça previamente quanto será destinado ao projeto.

Por exemplo:

Se a renda líquida familiar é de R$ 8.000 e a família estabelece uma meta de R$ 1.500 por mês, esse valor deve ser tratado como uma obrigação financeira do projeto do imóvel.

A lógica é simples:

Recebeu → separou o dinheiro da meta → pagou as despesas → utilizou o restante.

Essa mudança de comportamento pode ser mais importante do que simplesmente tentar cortar todos os pequenos gastos.

O próprio material de educação financeira do Banco Central destaca a importância de fazer com que as receitas superem as despesas para possibilitar a formação de poupança e a realização de objetivos.

Se a pessoa conseguir guardar R$ 1.500 por mês, por exemplo, terá acumulado:

R$ 18 mil em 12 meses.

Sem falar nos rendimentos da aplicação financeira escolhida pelo para guardar o dinheiro, seja poupança, renda fixa ou outra que não envolve risco financeiros e garantidas pelo fundo garantidor de créditos.

Por exemplo, os rendimentos da poupança no ano de 2026 variam em aproximadamente 8% ao ano, assim ao economizar R$ 18 mil em um ano na poupança o saldo final pode ficar em aproximadamente R$ 19.440,00

E veja uma lógica econômica ao invés de você pagar por volta de 12% de juros efetivos ao ano em um financiamento imobiliário, você economiza esse juros e poupando você ganha 8% ao ano pelo seu projeto econômico. 

Isso demonstra por que a compra de um imóvel deve ser encarada como um projeto de médio ou longo prazo.

4. Procure aumentar a sobra mensal, não apenas cortar despesas

Economizar é importante, mas existe um limite para quanto uma pessoa consegue cortar do orçamento.

Depois de reduzir desperdícios, outra possibilidade é trabalhar para aumentar a renda.

Horas extras, trabalhos paralelos, prestação de serviços, vendas, comissões ou outras fontes de renda podem acelerar a formação do dinheiro necessário para a compra.

O ponto importante é não transformar uma renda eventual em uma obrigação permanente.

Se uma pessoa recebe R$ 1.000 extras em determinado mês, pode direcionar parte ou todo esse valor para o fundo do imóvel.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao 13º salário, restituição do Imposto de Renda, bônus e outros recursos extraordinários.

Em vez de incorporar imediatamente esse dinheiro ao padrão de consumo, ele pode ser utilizado para aproximar o comprador da entrada do imóvel.

5. Não pense apenas na entrada: prepare-se para o financiamento

Guardar dinheiro para a entrada é importante, mas não é o único aspecto financeiro da compra.

Quem pretende financiar um imóvel também precisa analisar se a futura prestação caberá no orçamento.

O Banco Central informa que as instituições financeiras avaliam a renda e o comprometimento financeiro do interessado. Em geral, os bancos trabalham com limite de comprometimento de renda que não ultrapassa aproximadamente 30%, embora as condições dependam da instituição e da operação.

A própria CAIXA informa, em determinadas modalidades de financiamento habitacional, que a prestação pode chegar a até 30% da renda familiar mensal bruta, observadas as condições da operação.

Isso significa que não adianta juntar dinheiro para a entrada e depois assumir uma parcela que comprometa excessivamente o orçamento familiar.

O planejamento deve considerar:

entrada + custos da compra + reserva financeira + capacidade de pagamento das parcelas.

Essa é uma visão mais completa de finanças imobiliárias.

Quanto guardar por mês para comprar um imóvel?

Não existe um valor único que sirva para todas as pessoas.

A quantia necessária depende da renda, do preço do imóvel, da entrada exigida, do prazo para a compra e dos custos envolvidos.

Mas é possível fazer uma simulação simples.

Imagine uma pessoa que estabeleça a meta de juntar R$ 60 mil para a compra de um imóvel.

Se conseguir guardar R$ 1.000 por mês, precisará de aproximadamente:

60 meses, ou 5 anos, sem contar os juros ganhos no período.

Guardando R$ 1.500 por mês:

40 meses, ou aproximadamente 3 anos e 4 meses.

Guardando R$ 2.000 por mês:

30 meses, ou 2 anos e 6 meses.

Esses exemplos não consideram rendimentos financeiros, inflação ou alterações no preço dos imóveis.

O objetivo é demonstrar uma ideia fundamental: quanto maior for a capacidade mensal de poupança, menor tende a ser o tempo necessário para alcançar a meta, mantendo as demais condições constantes.

O FGTS pode ajudar na compra do imóvel

Para quem trabalha ou trabalhou sob o regime do FGTS, existe outra fonte de recursos que pode fazer diferença no planejamento.

O saldo do FGTS pode ser utilizado em determinadas situações para aquisição de imóvel residencial, inclusive como parte da entrada ou durante o financiamento, desde que sejam atendidas as regras aplicáveis.

Entre os requisitos gerais estão o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS e outras condições relacionadas ao comprador, ao imóvel e à existência de financiamento ou propriedade residencial.

Portanto, quem está planejando comprar um imóvel deve verificar antecipadamente se possui saldo e se atende aos requisitos para utilização.

O FGTS não deve ser tratado como dinheiro disponível sem restrições.

Sua utilização depende das regras vigentes e do enquadramento da operação.

Vale a pena esperar para juntar uma entrada maior?

Essa é uma decisão que precisa ser analisada de acordo com a situação financeira de cada comprador.

Uma entrada maior pode reduzir o valor financiado.

Por outro lado, esperar muitos anos exclusivamente para aumentar a entrada também pode envolver mudanças nos preços dos imóveis, nas taxas de financiamento, na renda do comprador e nas condições econômicas.

Por isso, não existe uma regra universal dizendo que o comprador deve sempre esperar ou sempre comprar rapidamente.

O mais importante é comparar cenários.

Por exemplo:

Cenário 1: comprar antes com uma entrada menor e assumir um financiamento maior.

Cenário 2: esperar alguns anos, acumular mais recursos e financiar um valor menor.

A comparação deve considerar juros, prazo, prestação, custos de aquisição, evolução da renda e segurança financeira da família.

Não use todo o dinheiro disponível na entrada

Um erro que pode comprometer a vida financeira do comprador é utilizar praticamente todo o dinheiro acumulado para pagar a entrada.

Depois da compra ainda existem despesas de mudança, manutenção, condomínio, IPTU, eventuais reformas e outros custos relacionados ao imóvel.

Além disso, imprevistos financeiros podem acontecer.

Por isso, o planejamento da compra deve procurar preservar uma reserva financeira compatível com a realidade da família.

Comprar um imóvel não significa apenas conseguir assinar o contrato.

É preciso conseguir manter o imóvel depois da compra.

Reduzir o preço do imóvel também é uma forma de economizar

Existe outra estratégia que muitas vezes é esquecida.

Para comprar um imóvel, não é obrigatório aumentar apenas a quantidade de dinheiro disponível.

Também é possível reduzir o tamanho da compra.

Imagine alguém que inicialmente procura um imóvel de R$ 600 mil.

Depois de analisar o orçamento, percebe que um imóvel de R$ 500 mil atende às suas necessidades.

A diferença de R$ 100 mil pode representar uma redução significativa no valor que precisará ser financiado.

Isso também pode reduzir juros totais e facilitar o pagamento das prestações.

Por isso, o comprador deve avaliar localização, metragem, número de quartos, vagas, condomínio e outros atributos que realmente são necessários.

Comprar melhor não significa necessariamente comprar o imóvel mais caro que o orçamento permite.

Cuidado com o financiamento longo

O prazo de financiamento pode tornar a parcela mensal mais acessível, mas aumenta o período em que o comprador permanecerá comprometido com a dívida.

O Banco Central informa que os financiamentos imobiliários podem ter prazos longos, dependendo do sistema e das condições oferecidas pela instituição financeira.

Por isso, não analise apenas a pergunta:

“Quanto ficará a parcela?”

Também é importante perguntar:

“Quanto vou pagar ao final do financiamento?”

A diferença entre essas duas perguntas é fundamental para uma decisão de finanças imobiliárias.

Uma prestação que parece confortável pode representar um compromisso financeiro de muitos anos.

O segredo é criar capacidade de compra

Comprar um imóvel não depende exclusivamente de ganhar muito dinheiro.

A capacidade de compra também é construída pela organização financeira.

Uma pessoa que consegue controlar as despesas, formar poupança, aumentar sua renda e evitar o excesso de dívidas pode melhorar gradualmente sua posição para adquirir um imóvel.

O Governo Federal também recomenda projetar receitas e despesas futuras por meio do orçamento doméstico, justamente para permitir que a família planeje seus objetivos financeiros.

Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:

“Quanto custa o imóvel que eu quero?”

Outra pergunta igualmente importante é:

“Quanto eu consigo acumular por mês para chegar até ele?”

Um exemplo de planejamento para comprar um imóvel de R$ 500 mil

Imagine uma família que pretende comprar um imóvel de R$ 500 mil e decide estabelecer uma meta inicial de R$ 100 mil em recursos próprios.

Se a família consegue guardar R$ 2.000 por mês, sem considerar rendimentos, seriam necessários 50 meses para alcançar R$ 100 mil.

Isso corresponde a aproximadamente quatro anos e dois meses.

Mas a família pode acelerar o projeto aumentando a capacidade mensal de poupança.

Se conseguir guardar R$ 2.500 por mês, o mesmo objetivo seria alcançado em 40 meses.

Se conseguir R$ 3.000 por mês, seriam aproximadamente 34 meses.

O exemplo demonstra que pequenas mudanças na capacidade mensal de poupança podem alterar significativamente o tempo necessário para atingir uma meta imobiliária.

Comprar imóvel é uma decisão de finanças imobiliárias

A compra de um imóvel costuma ser tratada como uma questão de moradia.

Mas também é uma decisão financeira de longo prazo.

O comprador está escolhendo quanto de sua renda será destinado à aquisição de patrimônio, quanto dinheiro ficará comprometido com financiamento e quanto terá disponível para outros objetivos.

Por isso, planejamento imobiliário não significa simplesmente encontrar uma casa bonita dentro do orçamento.

Significa encontrar um imóvel cujo custo seja compatível com a renda, o patrimônio, a capacidade de poupança e os objetivos financeiros da família.

Conclusão: faça o dinheiro trabalhar a favor da compra do imóvel

As cinco estratégias podem ser resumidas de maneira simples:

  1. Conheça exatamente seus gastos.
  2. Transforme a compra do imóvel em uma meta financeira.
  3. Separe dinheiro para o imóvel antes de gastar o restante.
  4. Procure aumentar sua renda e sua capacidade de poupança.
  5. Planeje a entrada, os custos da compra e a futura prestação.

O mais importante é entender que comprar um imóvel não começa no financiamento.

Começa meses ou anos antes, quando o comprador decide organizar sua vida financeira para construir capacidade de compra.

Quanto mais cedo essa preparação começar, mais opções o comprador poderá ter quando chegar o momento de escolher o imóvel.

Antes de comprar, faça as contas. Antes de financiar, conheça o custo total. E antes de comprometer sua renda, verifique se o imóvel realmente cabe no seu planejamento financeiro.

Importante: os exemplos deste artigo são meramente ilustrativos. As condições de financiamento, utilização do FGTS, custos de aquisição e regras aplicáveis podem variar conforme o imóvel, município, instituição financeira e situação do comprador. Consulte as condições vigentes antes de tomar uma decisão financeira.

 

Veja também: Como comprar um imóvel mesmo sem ter muito dinheiro para entrada.

 

Fontes consultadas

Banco Central do Brasil – Educação Financeira e Crédito Imobiliário.

CAIXA – Educação Financeira e financiamento habitacional.

FGTS – Regras para utilização na aquisição de imóvel residencial.

Governo Federal – Planejamento do orçamento doméstico.

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